Quando eu era criança e começava a frequentar estádios, tudo que eu mais queria era ficar junto da Força Jovem.A maior torcida organizada do Vasco era sinônimo de festa para nós, pequenos torcedores, que respeitávamos todos que vestiam sua camisa.
Lembro bem de, aos 11 anos de idade, ter ido à sede da torcida, na época em Quintino. Levados por meu pai, eu e meu irmão fizemos nossas carteirinhas de membros, e compramos nossas primeiras camisas da Força. Saí de lá orgulhoso, me sentindo homem.
O tempo foi passando, passando, e eu quase nunca ia para a torcida. Preferia assistir aos jogos ao lado do meu pai. E acabei percebendo algumas coisas ao longos dos anos.
A torcida quase nunca cantava o nome do clube. Os gritos de 'Vasco', ou canções exaltando o time e a instituição, eram cada vez mais raras.
Os torcedores pareciam profissionais naquilo. Pensavam apenas em dinheiro, lucravam com os ingressos que ganhavam, apoiavam quem prometia ou dava mais.
E finalmente, em uma viagem que fiz a São Paulo em um ônibus da Força Jovem, vi que a torcida escondia em sua fileira alguns vândalos disfarçados de torcedores.
Cansei daquilo. Passei a ser contra o movimento.
De uns tempos para cá, a Força Jovem parecia ter renascido. Superou brigas internas e recomeçou a cantar o nome do Vasco, mesmo que o tenha feito após o fenômeno Guerreiros do Almirante (os quais respeito e apoio).
Os fatos da noite de quarta-feira vieram mostrar que, infelizmente, nem tudo mudou. Sair do Rio de Janeiro para brigar com torcedores do Corinthians em São Paulo, no dia de uma decisão importantíssima para o clube, mostra que uma parte da torcida ainda está mais preocupada com seu próprio umbigo.
É o lado negro da Força.
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